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Você sabe o que são ritos de passagem?

Publicado em: 13/08/2010

Por: Flavia Penedo

Nossas vidas estão permeadas por diversos tipos de rituais, desde que nascemos. Batizado, Aniversários, Festa de 15 anos, Formatura, Casamento, Funerais, isso só para citar os mais corriqueiros e presentes em nossos cotidianos. Mas o que realmente significa tudo isso, qual o simbolismo por trás de tantas celebrações?

Retornando muito no tempo, vamos descobrir que em todas as sociedades primitivas uma série de cerimônias especiais era realizada, de forma a marcar momentos importantes da vida de seus membros. Essas cerimônias ficaram conhecidas como ritos de iniciação ou de passagem e eram importantes, não somente para a pessoa que estava vivenciando determinado momento de transição em sua jornada pessoal, mas também para o grupo como um todo, já que a tribo se fortalecia a cada novo período que começava para cada um de seus membros em particular.

Ainda hoje, principalmente nos clãs indígenas e em alguns pequenos grupos que mantiveram preservadas suas tradições, o conteúdo simbólico dos ritos é mantido intacto, embora em nossa sociedade moderna, principalmente no Ocidente, seus significados mais profundos já tenham se diluído, muitas vezes transformando os eventos em meras formalidades sociais.

Independente das particularidades da cultura a que estão ligados, todos os ritos de passagem têm em comum o simbolismo de representarem uma transição de um estado a outro de ser, onde a pessoa vai adquirindo novos conceitos, responsabilidades e hábitos, nova visão de mundo e se desenvolvendo em seu caminho de evolução e autoconhecimento.

Dentro de um contexto religioso, isso se torna ainda mais forte e significativo, pois os ritos representam os pontos culminantes de uma longa jornada iniciática em direção a um novo estado de consciência, onde se vai adquirindo cada vez mais conhecimento e prática, sempre em direção ao aprofundamento espiritual.

Todos nós passamos por isso ao longo da vida, diversas vezes, não importa se através de escolhas espirituais, assumindo compromissos e relacionamentos afetivos, saindo da casa dos pais, formando uma família, adquirindo uma nova posição social, vivenciando os ciclos naturais e biológicos de nossos corpos ou enfrentando situações marcantes e importantes que, de alguma forma, deixam marcas e nos modificam em algum nível.

Portanto, a celebração dessas fases, no fundo, é a ritualização dos processos que ocorrem naturalmente, estejamos conscientes ou não deles. Porém, ao criarmos uma conexão sagrada com esses pontos de mutação, encontrando uma forma de representar o indizível, fica mais fácil lidar com toda a carga emocional que eles carregam, o que, muitas vezes, pode ser doloroso, ou trazer um pouco de medo e insegurança. Toda transformação, seja em qual período da vida for, seja por escolha própria ou não, exige uma série de mudanças e, muitas vezes, o abandono de velhos padrões, atitudes, crenças e comportamentos pré-estabelecidos para que uma nova fase se inicie, e nem sempre é simples lidar com isso, porque envolve desapego, perdas e ganhos, desconstrução e reconstrução da identidade e coragem para abraçar o desconhecido que a vida sempre traz quando precisamos dar um passo adiante.

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Flavia Penedo

Flavia Penedo

Biografia:

Massoterapeuta há 10 anos, com especialização em Terapia Floral, Aromaterapia e Terapia com cristais.

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